Alguma vez sentiu o coração a disparar sem motivo aparente? Ficou sem ar, com tonturas, ou com a sensação de que ia desmaiar? Teve medo de estar a ter um ataque cardíaco ou de perder o controlo? Estes são sintomas comuns de um ataque de pânico, uma experiência muito mais comum do que se pensa. Cerca de 12% das pessoas já teve, pelo menos, um ataque de pânico ao longo da vida. Apesar de as causas não serem totalmente conhecidas, há fatores de risco associados: traços de personalidade como o neuroticismo, sensibilidade à ansiedade, trauma, níveis elevados de stress e abuso de substâncias.
Como Reconhecer um Ataque de Pânico?
O que distingue um ataque de pânico de outras crises de ansiedade é a intensidade do medo e a sensação de que algo catastrófico está prestes a acontecer. Pode surgir a crença de que se vai morrer, perder o controlo ou enlouquecer. Quando o medo de ter novos ataques leva a evitar lugares ou atividades (como o exercício físico) durante, pelo menos, um mês, podemos estar perante uma perturbação de pânico.
O Que Está a Acontecer no Nosso Corpo?
- Sistema de Defesa/Ameaça: Focado na deteção de perigos e na procura de proteção, ativa respostas como a luta, fuga ou imobilização. Este é o nosso sistema predominante e é responsável por emoções como a ansiedade, o medo e o pânico.
- Sistema de Procura: Mobiliza para a busca de recursos e proporciona afeto positivo. Está ligado à realização de objetivos, lazer e recompensa, ativando emoções como alegria, orgulho e desejo.
- Sistema de Tranquilização/Apaziguamento: Promove a conexão com os outros, gerando sensações de calma, segurança e contentamento. Está associado à liberação de oxitocina e opiáceos naturais que reduzem o stress.
O sofrimento psicológico, incluindo o pânico, surge frequentemente do desequilíbrio entre estes sistemas. Normalmente, o Sistema de Defesa está sobreativado, enquanto o Sistema de Tranquilização fica subativado. O pânico é, assim, um falso alarme: o perigo não é real, mas o corpo reage como se fosse.
Porque É Que Isto Acontece?
Experiências negativas anteriores, como traumas ou perdas significativas, aumentam a sensação de vulnerabilidade e falta de controlo, tornando o sistema de alerta mais sensível. É como ter um detetor de fumo que dispara com o fumo das torradas – um alarme que reage em excesso.
Como Gerir o Pânico?
A chave está em equilibrar estes sistemas emocionais. Intervenções baseadas nas terapias cognitivo-comportamentais de terceira geração, como a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), ajudam a desenvolver a flexibilidade psicológica, ensinando a lidar com as emoções sem as evitar ou temer. O mindfulness é uma ferramenta essencial neste processo, permitindo-nos observar as sensações físicas e emocionais sem julgamento, reduzindo o medo de sentir.
A compaixão, tanto por nós mesmos como pelos outros, é outro pilar fundamental. Desenvolver uma atitude de gentileza e compreensão em relação às nossas experiências internas é o antídoto natural para o pânico.
Porque é possível viver sem ser refém do medo, recuperando o controlo e a serenidade.
Se sentir que isto lhe é familiar e que precisa de apoio para reequilibrar a sua vida emocional marque a sua consulta ou entre em contacto connosco.
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Psicóloga Clínica e Diretora Clínica da Psicoflex, é formada em Psicologia Clínica e da Saúde pela Universidade de Coimbra, com especialização em Terapias Cognitivo-Comportamentais de Terceira Geração, Terapia de Casal e Sexologia Clínica. Com experiência em diferentes contextos de intervenção e ao longo de várias fases do ciclo de vida, trabalha sobretudo com perturbações de ansiedade, humor e sono, stress, trauma, dificuldades relacionais e questões ligadas à sexualidade. A sua prática integra o modelo cognitivo-comportamental com abordagens como ACT, Mindfulness e Terapia Focada na Compaixão, promovendo flexibilidade psicológica e uma vida mais plena, flexível e significativa.
- Maria João Varela
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