“Terapias Cognitivo-comportamentais (TCC) convencionais versus TCC de Terceira Geração”

Imagine uma situação em que habitualmente lhe surge o pensamento: “Eu não sou suficientemente bom”. Talvez reconheça aqueles momentos em que a mente lança críticas duras e dolorosas. O que costuma fazer com este pensamento? Talvez a sua mente procure confirmá-lo, recordando todas as situações do passado onde errou ou falhou, arrastando-o para uma espiral negativa da qual é difícil sair.

Abordagem convencional

Nas abordagens terapêuticas mais convencionais, o objetivo seria questionar este pensamento negativo, desafiando-o e expondo-se a experiências que o ajudem a transformá-lo numa versão mais realista: “Afinal, há coisas em que eu sou bom”. Contudo, devido à sua própria natureza, este tipo de pensamentos e crenças é muito persistente. Para muitas pessoas, este exercício exige grande esforço e traz poucos resultados. E é aqui que entram as TCC de Terceira Geração, como a Terapia da Aceitação e Compromisso (ACT). Nesta abordagem, o que se transforma não é o pensamento em si, mas a nossa relação com ele.

TCC de Terceira Geração

Com o uso de várias ferramentas, como metáforas, as pessoas conseguem observar os pensamentos pelo que eles são: apenas pensamentos e não a realidade das coisas, sem a necessidade de elaborar sobre eles. Vamos fazer um exercício?

Pensamentos são como bolas de sabão

Imagine que cada pensamento ou emoção que surge na sua mente é como uma bola de sabão. Algumas são leves e coloridas, enquanto outras são escuras e desconfortáveis. Quando surgir um pensamento como: “Eu não sou suficientemente bom” ou outro que lhe cause desconforto, o seu trabalho será observá-lo como se fosse uma bola de sabão e agir de acordo com o que é mais importante.

O objetivo já não passa por ‘rebentar’ ou modificar essa bola de sabão (como nas terapias mais convencionais) para que cause menos desconforto. Esta abordagem permite que concentremos a nossa atenção e energia no que realmente importa, aceitando a presença de pensamentos desconfortáveis sem nos deixarmos enredar neles.

Flexibilidade Psicológica: A Grande Transformação

A verdadeira mudança que as terapias de terceira geração oferecem é a flexibilidade psicológica – a capacidade de observar esses pensamentos sem nos deixarmos prender por eles. Em vez de lutar contra cada pensamento negativo, podemos escolher agir de acordo com os nossos valores e objetivos, permitindo que cada “bola de sabão” flutue livremente.

Em última análise, esta abordagem oferece-nos a liberdade de viver sem a necessidade de lutar contra cada pensamento negativo. Com esta nova relação com a mente, podemos direcionar a nossa atenção para o que realmente importa e agir de acordo com o que nos traz sentido e realização.

Psicóloga Clínica e da Saúde |  + posts

Psicóloga Clínica e Diretora Clínica da Psicoflex, é formada em Psicologia Clínica e da Saúde pela Universidade de Coimbra, com especialização em Terapias Cognitivo-Comportamentais de Terceira Geração, Terapia de Casal e Sexologia Clínica. Com experiência em diferentes contextos de intervenção e ao longo de várias fases do ciclo de vida, trabalha sobretudo com perturbações de ansiedade, humor e sono, stress, trauma, dificuldades relacionais e questões ligadas à sexualidade. A sua prática integra o modelo cognitivo-comportamental com abordagens como ACT, Mindfulness e Terapia Focada na Compaixão, promovendo flexibilidade psicológica e uma vida mais plena, flexível e significativa.

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Formação académica

  • Licenciatura e Mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra
  • Pós-graduação em Terapias Cognitivo-Comportamentais de Terceira Geração
  • Especialização Avançada em Terapia de Casal
  • Especialização Avançada em Sexologia Clínica
  • Facilitadora de Mindfulness 


Experiência profissional

Ao longo do seu percurso profissional tem realizado intervenção em diversas valências, incluindo, em contexto de Cuidados de Saúde Primários, em contexto de Unidade Socio-Ocupacional (USO) com utentes com perturbação mental grave (psicose, esquizofrenia, doença bipolar, perturbações de personalidade), com idosos em contexto de residência sénior e com crianças em contexto educativo.

Paralelamente, tem também realizado:

  • intervenção clínica em prática privada
  • intervenção em grupo em múltiplas problemáticas
  • cursos de formação em práticas meditativas Mindfulness