Evitamento e saúde mental – Quando a solução se torna o problema.

Evitamento (ou fuga)

O evitamento e a saúde mental estão intimamente ligados! De um ponto de vista evolucionista, é compreensível que tentemos a todo o custo fugir da dor e buscar o prazer. Fomos programados para tal, pois a sobrevivência depende, vastas vezes, disso. Grande parte do que consideramos serem realizações humanas baseia-se nessa busca incessante. Assim podemos conceber a arte, a ética e a religião, para citar algumas, como tentativas de maximizar o prazer e minimizar a dor. Mas, aquilo que é um processo normal e expectável pode perfeitamente virar-se contra nós. É isso que acontece muitas vezes quando evitamos confrontar-nos com as nossas perdas, com as nossas dores psicológicas, com as nossas fraquezas e vulnerabilidades. Acontece com todos, mas muito mais frequentemente e com muito mais gravidade a quem sofre de uma perturbação de personalidade.

As múltiplas faces do evitamento

O evitamento pode ser

  • cognitivo (não pensar naquilo que nos magoa)
  • emocional (não sentir uma determinada emoção por ser muito dolorosa)
  • ou comportamental (fugir de uma certa situação)

Todos eles aumentam, a prazo, a dor associada com aquilo de que fugimos. É aqui que está a armadilha: quanto mais fugimos, maior a dor que se acumula.

O amplificador dos efeitos negativos do evitamento

Nas perturbações da personalidade, este evitamento toma proporções mais graves. Frequentemente, até naquelas situações em que seria perfeitamente compreensível a pessoas sentir raiva, vergonha, medo, por exemplo, ela não sente nada. A isto chamamos evitamento emocional. Estas pessoas podem até falar de um abuso sexual que foi extremamente doloroso e o contem como se não fosse nada com elas. No entanto, podem referir sentir mal estar emocional difuso, crónico, sem origem concreta, com maiores sintomas psicossomáticos… É comum desistirem de carreiras, de um casamento… Ou de toda e qualquer situação que pensem que pode vir a ativar essas emoções das quais tanto fogem. Desenvolvem ainda, com frequência, síndromes como:

  • agorafobia (medo de espaços abertos ou fechados onde persintam ser difícil encontrar ajuda no caso de se sentirem mal) e ansiedade social;
  • e isolamento social (evitamento comportamental);
  • no evitamento cognitivo a pessoa pode mesmo sofrer despersonalização, ou seja, sair psicologicamente da situação ou desenvolver uma compulsão (alimentar, por exemplo).

Experiencias precoces adversas como motor das estratégias de evitamento

O evitamento é uma atitude muito humana, adequada e expectável em muitas situações. Todos nós, em menor ou maior grau, tendemos a fugir de situações que nos causam dor. No entanto, nestas pessoas, assume proporções muito severas. De tal modo que, impede que realizem muitos dos seus objetivos e que levem uma vida que valorizem e que lhes seja agradável. Esta atitude surge, de um modo geral, no percurso do seu desenvolvimento. Habitualmente em consequência de experiências precoces negativas com os significativos (pais, avós ou pares). Sofreram traumas, abusos vários e ou abandono, negligência ou rejeição. Nestas experiências ativaram um nível de afeto negativo tão forte que se sentiram incapazes de o processar. Aqui o evitamento surgiu como uma das estratégias possíveis, que estão ao alcance de qualquer um de nós. No entanto, nestes casos assume proporções patológicas, causando um nível de sofrimento tão elevado que a única resposta que parece viável é fugir.

Quando o evitamento se torna um problema, é aqui que entra a Psicologia Clínica. O evitamento e a saúde mental altamente estão altamente relacionados. Em consulta a pessoa irá aprender estratégias para lidar com as formas de evitamento que podem ser problemáticas. Irá também aprender novas formas de lidar com a experiência interna e externa. Não se altera o passado, mas trabalhamos para que as experiencias negativas passadas tenham menos impacto no presente. Isto vai permitir à pessoa perseguir um futuro valorizado, nutrir relacionamentos saudáveis e alcançar a estabilidade emocional.

Para que o(a) possamos apoiar no seu processo de mudança marque a sua consulta ou entre em contacto connosco.

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Psicóloga Clínica e da Saúde |  + posts

Psicóloga Clínica e Diretora Clínica da Psicoflex, é formada em Psicologia Clínica e da Saúde pela Universidade de Coimbra, com especialização em Terapias Cognitivo-Comportamentais de Terceira Geração, Terapia de Casal e Sexologia Clínica. Com experiência em diferentes contextos de intervenção e ao longo de várias fases do ciclo de vida, trabalha sobretudo com perturbações de ansiedade, humor e sono, stress, trauma, dificuldades relacionais e questões ligadas à sexualidade. A sua prática integra o modelo cognitivo-comportamental com abordagens como ACT, Mindfulness e Terapia Focada na Compaixão, promovendo flexibilidade psicológica e uma vida mais plena, flexível e significativa.

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Formação académica

  • Licenciatura e Mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra
  • Pós-graduação em Terapias Cognitivo-Comportamentais de Terceira Geração
  • Especialização Avançada em Terapia de Casal
  • Especialização Avançada em Sexologia Clínica
  • Facilitadora de Mindfulness 


Experiência profissional

Ao longo do seu percurso profissional tem realizado intervenção em diversas valências, incluindo, em contexto de Cuidados de Saúde Primários, em contexto de Unidade Socio-Ocupacional (USO) com utentes com perturbação mental grave (psicose, esquizofrenia, doença bipolar, perturbações de personalidade), com idosos em contexto de residência sénior e com crianças em contexto educativo.

Paralelamente, tem também realizado:

  • intervenção clínica em prática privada
  • intervenção em grupo em múltiplas problemáticas
  • cursos de formação em práticas meditativas Mindfulness